Eleição da Câmara de Goiandira expõe crise de confiança, acusações de traição política e interferência do Executivo
Discurso na tribuna revela bastidores de acordos, pressões e uso questionável do dinheiro públicoA eleição para a presidência da Câmara Municipal de Goiandira foi marcada por um discurso contundente, carregado de críticas, desabafos e denúncias que expõem uma profunda crise política interna, envolvendo quebra de acordos, interferência do Poder Executivo, falta de autonomia do Legislativo e questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos da Casa.Logo no início de sua fala, o vereador agradeceu a presença de colegas, amigos e familiares, classificando o momento como um dos mais importantes de sua vida política. Destacou que, apesar das derrotas ao longo do caminho, o processo político ensina e fortalece, ainda que seja duro e, segundo suas próprias palavras, “pesado”.A política como jogo duro e a importância da palavra empenhadaO parlamentar ressaltou que o ambiente político exige firmeza e caráter, destacando que, acima de tudo, um bom político precisa honrar a palavra dada. Para ele, compromisso assumido não pode ser rompido por conveniência ou pressão.Ao relembrar episódios anteriores da Câmara, citou acordos feitos ainda em 2020, quando, segundo ele, houve combinações internas que resultaram na escolha de presidentes da Casa sob influência direta do Executivo da época. O vereador recordou que, mesmo diante de disputas internas e tentativas de articulação para “passar colegas para trás”, manteve sua palavra e votou conforme o compromisso assumido.Comparações com a política regional e o exemplo de CatalãoDurante o discurso, o vereador traçou paralelos com a política regional, citando o prefeito de Catalão, Velomar Rios, e sua relação política com o ex-prefeito Adib Elias. Segundo ele, mesmo sendo apadrinhado politicamente, Velomar teria se mantido fiel à palavra empenhada, inclusive enfrentando pressões para romper compromissos assumidos com aliados.O parlamentar destacou que a palavra de um homem público não pode ter “deslizes” e que o respeito aos acordos é fundamental para preservar a credibilidade política.Derrotas eleitorais, compromissos mantidos e respeito institucionalO vereador relembrou disputas internas anteriores pela presidência da Câmara, reconhecendo derrotas, mas frisando que jamais desrespeitou presidentes eleitos ou colegas dentro do plenário. Segundo ele, mesmo quando perdeu, manteve postura institucional, respeitando o resultado e a democracia.Em tom autocrítico, reconheceu erros cometidos em articulações passadas, especialmente pela falta de diálogo e alinhamento na formação de chapas. Ainda assim, afirmou que sempre preferiu perder com dignidade a vencer rompendo compromissos.Críticas à atual gestão da Câmara e ao tratamento desigual entre vereadoresUm dos pontos mais críticos do discurso foi direcionado à atual condução da Câmara Municipal. O vereador denunciou tratamento desigual entre parlamentares, especialmente no uso de recursos públicos para divulgação institucional.Segundo ele, há vereadores mais valorizados que outros, inclusive em materiais de divulgação, quadros e ações financiadas com dinheiro da própria Câmara. Para o parlamentar, os recursos da Casa deveriam ser usados de forma igualitária, respeitando todos os vereadores, independentemente de posição política.Acusações de favorecimento e falta de transparênciaO discurso também trouxe denúncias graves sobre possível favorecimento comercial envolvendo a compra de produtos com recursos da Câmara junto ao irmão do prefeito. O vereador questionou por que o dinheiro público estaria sendo direcionado sempre ao mesmo fornecedor, quando poderia beneficiar outros comerciantes do município.Para ele, essa prática reforça a percepção de que a Câmara estaria funcionando como um “puxadinho da Prefeitura”, sem autonomia administrativa e política.Pressões, tentativas de intimidação e manipulação internaO parlamentar afirmou ter sido alvo de tentativas de intimidação e acusações falsas, como a de que teria interesse em demitir funcionários da Casa, algo que negou veementemente. Segundo ele, essas narrativas teriam sido criadas para desgastá-lo politicamente.Ele também denunciou a manipulação das falas dentro do plenário, com controle sobre quem pode falar e em que momento, citando episódios em que foi impedido de se manifestar, inclusive durante debates importantes, como o da CPI.Defesa da autonomia do Legislativo e da democraciaAo justificar sua candidatura à presidência da Câmara, o vereador afirmou que seu objetivo não é perseguir ninguém, mas garantir soberania ao Legislativo, votações independentes e respeito à democracia.Para ele, a Câmara precisa deixar de ser subordinada ao Executivo, retomando seu papel constitucional de fiscalização, debate e representação popular.Relatos pessoais, traições políticas e falta de apoioEm um dos momentos mais emocionais do discurso, o vereador afirmou que não traiu a base governista, mas foi traído. Relatou um episódio em que sofreu agressão verbal e física, sem receber apoio de colegas da base, destacando que, apesar da situação, manteve a postura e o respeito.Ele também fez agradecimentos a colegas que considera “pessoas de palavra”, reforçando que sua trajetória política foi construída com sacrifícios pessoais desde a juventude, o que, segundo ele, fortalece sua convicção de lutar por uma Câmara mais justa e independente.Polícia Militar, clima tenso e encerramentoO discurso ainda mencionou a presença da Polícia Militar na Câmara, afirmando que não há necessidade de policiamento para conter vereadores, pois, segundo ele, ainda há pessoas com coerência e respeito dentro da Casa. Destacou, no entanto, que os policiais são sempre bem-vindos.Ao encerrar, agradeceu a Deus, aos colegas e à população, reforçando que sua candidatura representa um grito contra injustiças, manipulações e a perda de autonomia do Legislativo municipal.—Jornal VenoxAcompanhe, fiscalize e participe da política de Goiandira.

